Galaxie 1972: O Modelo da Polêmica e a Engenharia de Inventário
Um Ano de Transição e Mistério
O ano de 1972 ocupa um lugar único na história do Ford Galaxie no Brasil. Mais do que apenas uma atualização de ano-modelo, este período é cercado por debates entre colecionadores e historiadores devido a uma estratégia industrial específica da Ford Brasil na época. No post de hoje, vamos analisar os números de sobrevivência do modelo 1972 através do Cadastro Nacional do Galaxie (CNG) e abordar a polêmica que envolve sua produção.
A Polêmica das Remarcações
Como já detalhei em um
Produção Real e Metodologia CNG
Para o modelo 1972, a produção oficial de autênticos iniciou-se em outubro de 1971. Utilizando nossa metodologia de rastreio por chassi para separar o ano-calendário do ano-modelo, estimamos que a produção total tenha sido de 2.236 unidades. É um volume significativamente menor que o do ano anterior, refletindo justamente esse ajuste de inventário e a transição da linha de montagem.
O Censo de 1972: Distribuição por Versões
Baseado no espaço amostral do CNG, conseguimos projetar a divisão interna da frota produzida em 1972:
LTD-Landau (55,3%): Consolidando-se como o favorito do público de luxo, com 1.237 unidades estimadas.
| Foto de um Autêntico LTD-Landau 1972 Branco Alpino - A calota não é a raiada (turbina) dos 71 e o friso do paralama traseiro acompanha a linha da carroceria (no 71 esse frizo é horizontal) |
Galaxie 500 (40,8%): Mantendo uma presença sólida com 913 unidades.
Galaxie Standard (3,8%): Tornando-se uma versão extremamente rara neste ano, com apenas 86 unidades estimadas e deixou de ser produzido totalizando estimadas 953 unidades produzidas.
Análise de Sobrevivência (Dados do CNG)
Atualmente, o CNG possui 198 unidades catalogadas referentes a 1972, o que representa 8,86% da produção total estimada. Confira os dados de conservação:
| Condição no Cadastro | Unidades (Modelo 1972) | % dos Cadastrados |
| Original | 41 | 20,71% |
| Modificado | 11 | 5,56% |
| Desmanchado | 8 | 4,04% |
| Funerária / SW | 2 | 1,01% |
| Pick-UP | 1 | 0,51% |
| Registro Pela Placa | 2 | 1,01% |
| Condição Desconhecida | 133 | 67,17% |
Visão da Engenharia: Evolução em Segurança e Conforto
Embora cercado de polêmicas de inventário, o Galaxie 1972 trouxe uma evolução técnica vital: a introdução dos freios a disco nas rodas dianteiras. Como engenheiro, destaco que esta mudança elevou drasticamente o patamar de segurança ativa do veículo, oferecendo uma frenagem muito mais precisa e resistente ao superaquecimento (fading) em comparação aos tambores anteriores.
| Propaganda dos Novos Freios a Disco para o modelo 72 |
Aliado a essa melhoria mecânica, o primado do silêncio de marcha e o conforto insuperável continuaram sendo os pilares da linha. A combinação do isolamento acústico meticuloso com a absorção eficiente de irregularidades permitiu que mais de 20% dos exemplares cadastrados chegassem aos dias de hoje preservando sua originalidade. O baixo índice de desmanches (4,04%) sugere que o modelo 72 passou a ser visto como um item colecionável e digno de preservação precocemente.
Conclusão: Um Ano para Historiadores
O Galaxie 1972 é a prova de que a história industrial é feita de nuances. Entender as remarcações e valorizar inovações como os freios a disco é fundamental para qualquer pesquisador sério.
Você possui um Galaxie 1972 com os discos dianteiros originais ou já verificou as marcações de chassi dele? Ajude-nos a documentar essa história e cadastre seu veículo no CNG!
Um Galaxie Abraço!
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