Engenharia de Berço: Por que nenhum carro moderno "flutua" como o Galaxie?
Todo mundo fala que o Galaxie é um "navio" ou "Barca", as vezes pelo seu tamanho mas muitas vezes por ser muito macio e "navegar"pelas ruas, mas eu como engenheiro, eu prefiro olhar para os braços triangulares, molas helicoidais nas quatro rodas, o ajuste de carga dos amortecedores e por fim na construção do carro (chassi, carroceria, bancos).
No post de hoje, quero desmistificar o que acontece embaixo do chassi para que o Galaxie tenha esse rodar que, até hoje, a indústria automobilística moderna tem dificuldade em replicar sem gastar fortunas com suspensão a ar que hojé está bem comum em carros de alto luxo como suspensões ativas.
O segredo do Galaxie está na Baixa Frequência de Oscilação e essa mágica não está apenas no tamanho, mas na frequência natural da suspensão. Enquanto um carro moderno é projetado para ser "direto" e rígido, visando estabilidade em curvas de alta velocidade, o Galaxie foi projetado com uma frequência baixa. Isso faz com que a suspensão filtre as irregularidades antes que elas cheguem ao chassi perimetral.
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| Chassí Perimetral do Galaxie para a linha 1976 presente no material de imprensa (que não teve expressivas mudanças ao longo da linha) |
- O Chassi Perimetral: Ele percorre todo o perímetro da carroceria que é montada sobre o chassi com coxins de borracha de alta densidade entre os dois, servindo como uma segunda barreira contra vibrações (as vibrações que o chassi por ventura sofrer mesmo depois da suspensão filtrar as imperfeições da estrada serãp mais uma vez filtradas por esses coxins).
- Adaptação para o Brasil: Apesar de hoje em dia o pessoal trazer peças de fora como amortecedor e molas a Ford Brasil constantemente "tunou" a suspensão do Galaxie brasileiro ao longo dos modelos, afinal a qualidade das estradas brasileiras eram inferiores aos EUA.
- Geometria de Suspensão: outro fator que ajuda muito nessa maciez do Galaxie é a geometria da suspensão: sendo o caster (bem positivo), a cambagem (levemente positiva) e um longo curso de suspensão fazem com que quando o carro "mergulha" em uma curva ou tenha uma forte frenagem o pneu mantenha o máximo de área de contato com o asfalto.
Um Galaxie Abraço!

Muito boa a explicação.
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